Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Entrevistas

“O silêncio do delator”, fortuna crítica e fragmento da obra

“O silêncio do delator”, fortuna crítica e fragmento da obra

Coletânea editada para livro eletrônico. Discurso, artigos, ensaio, entrevista e fragmento do livro “O silêncio do delator”, Prêmio Senador José Ermírio de Moraes, Livro do Ano 2005.

Entrevista de José Nêumanne Pinto a Jean Oliveira

Entrevista de José Nêumanne Pinto a Jean Oliveira

Como você recebe este título de Cidadão Paulistano? O que São Paulo representa sentimentalmente para você?

Desde que eu morava no Rio de Janeiro e vinha passar fins de semana em São Paulo, há mais de 40 anos, curto a cidade. Depois, ela se impregnou em meu organismo como parte dele. Primeiro, aqui aprendi a profissão de jornalista e desde 1º de junho de 1970 nela tenho trabalhado ininterruptamente: Folha de S.Paulo, assessoria de imprensa do prefeito José Carlos de Figueiredo Ferraz, Sucursal do Jornal do Brasil em São Paulo, Cineclick, Somtrês, O Estado de S. Paulo, TV Manchete, Rádio Jovem Pan, Jornal da Tarde, SBT. Nunca passei um dia desocupado nesta Pauliceia Desfigurada da obra-prima do poeta Mário Chamie, “comoção da vida” no verso de outro Mário, o de Andrade. Sempre me orgulhei de minha condição de sertanejo, de uiraunense (que já contribuiu para São Paulo com Luiza Erundina, ex-prefeita e atual deputada federal pelo PSB) e de campinense (sou também cidadão de Campina Grande, com muito orgulho e alegria). Também me orgulho muito de ser paulistano, porque aqui nasceram meus filhos Vladimir, Clarice e Cecília e meu neto Pedro. Aliás, sou também um pouco lombardo, de vez que minhas netas Stella e Anna nasceram e vivem em Milão. O título concedido por unanimidade pela Câmara Municipal, por propositura de Quito Formiga (PR), é um honroso reconhecimento do orgulho que sinto de pertencer a esta cidade acolhedora e hospitaleira. Leia mais…

Entrevista de Nêumanne a Marcone Formiga

Entrevista de Nêumanne a Marcone Formiga

Brasília EM DIA

O pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva, um operário bem articulado, e o paraibano José Nêumanne, o jornalista que cobria suas atividades, já foram amigos, mas não têm mais vínculos de amizade como antes, muito pelo contrário. Anfitriões bem-informados estão evitando que os dois sejam convidados para o mesmo evento social, porque são líquidos que não se misturam, nem mesmo para brindar.

Faz sentido essa precaução. As boas relações entre os dois ficaram no passado. No presente, não faz sentido colocá-los na mesma mesa porque não se sentiriam confortáveis, compartilhando o mesmo espaço.

A ponte entre os dois foi dinamitada depois do lançamento do livro “O que eu sei de Lula”, há uma semana, em São Paulo, com agenda para a próxima semana, em Brasília.

Para o escritor, Lula é um fenômeno político, como também pessoal, o que explica seu sucesso na política, eleito duas vezes presidente da República. Acrescentou que o ex-presidente conquistou uma popularidade e “com isso execrou e demonizou Fernando Henrique Cardoso, pela obra que ele considerou herança maldita, mas que, na verdade, foi o verdadeiro sucesso dele”. O perfil que o autor faz de Lula “é a expressão exata do cidadão brasileiro comum, ignorante, arrogante, de levar vantagem em tudo para se dar bem”. Nêumanne acrescenta mais: “O Lula, na
verdade, é um Macunaíma, um herói sem nenhum caráter, no sentido que o Mário de Andrade quis dar ao seu herói”.

Nêumanne revela também que Lula critica a imprensa por algumas razões, que ele até enumera: por comodismo, reação ao fato de a imprensa vigiá-lo, “por ignorância e, também, um pouco por ingratidão”.

Lendo a entrevista que segue, faz sentido os anfitriões evitarem que os dois compareçam à mesma festa.

Por: Marcone Formiga

Leia a entrevista completa. Clique aqui!

Entrevista de Nêumanne a Silvia Amorim do jornal O GLOBO

Entrevista de Nêumanne a Silvia Amorim do jornal O GLOBO

O GLOBO

‘Lula não é de esquerda, é um conservador’

Jornalista, que lançou livro sobre o ex-presidente, diz que ele recusou proposta de Golbery de apoiar volta dos exilados

Observador privilegiado da ascensão do ex-presidente Lula, desde os tempos de líder sindical, o jornalista e escritor José Nêumanne Pinto defende em seu livro “O que sei de Lula”, lançado na semana passada, a desmistificação do petista como revolucionário e representante da esquerda. Considera Lula o maior político da História do país, mas diz que, na essência, ele é um “conservadoraço”.

Nêumanne acompanhou, como repórter, a rotina de Lula no tempo das greves no ABC paulista. Os dois foram amigos, mas, com a eleição de Lula, a relação acabou.

– Sempre me rebelei com a imagem feita ao longo do tempo e pensei: tenho o privilégio de conhecer bem o assunto, a origem, a saga dele e o fato de ele nunca ter sido revolucionário de esquerda.

NÊUMANNE PINTO: “O Lula foi o primeiro cara que uniu a esquerda, mesmo sem ser de esquerda”

Silvia Amorim

Qual a maior revelação que o livro traz?

JOSÉ NÊUMANNE PINTO: É que Lula não é de esquerda, é um conservador e grande conciliador.

O senhor questiona o mito em que ele se transformou. O que o fez chegar a essa conclusão?

NÊUMANNE: Isso não é uma opinião. Eu mostro isso com episódios. Entre 1978 e 1979, eu fui procurado pelo Claudio Lembo, presidente da Arena na época, porque ele tinha uma missão. O general Golbery do Couto e Silva queria fazer a volta dos exilados e queria apoio do Lula. A reunião foi em um sítio do sindicato, e lá eu ouvi o Lula dizer: “Doutor Claudio, fala para o general que eu não entro nessa porque eu quero que esses caras se danem. Os caras estão lá tomando vinho e vêm para cá mandar em nós?” O Lula falava que a Igreja tinha dois mil anos de dívidas com a classe trabalhadora e que não resolveria em dois anos. Com os estudantes, dizia que poderia fazer um pacto: eles não encheriam o saco do sindicato e o sindicato não encheria o deles. Isso tudo eu vi, ninguém me contou. Ele é um conservadoraço. Nunca foi revolucionário.

E a história dele com o PT?

NÊUMANNE: Costumo usar a seguinte imagem para ilustrar a história da esquerda na vida dele. Pense numa cebola. O núcleo da cebola é o homem. O resto é casca ideológica e política construída ao longo do tempo. O meu objetivo era descascar essa cebola e chegar ao homem, porque eu acho que o segredo do sucesso do Lula é a condição humana dele, a origem, o ambiente familiar, a carreira no sindicato e, sobretudo, dois talentos, que não têm nada a ver com ideologia. O primeiro é o talento que ele tem de se comunicar. O segundo é que Lula é o maior de todos os conciliadores da História do Brasil. O Lula conseguiu um milagre. Quando eu conheci o Lula, falava-se muito que a esquerda brasileira só se reunia na cadeia, porque eram todos inimigos. E o Lula foi o primeiro cara que uniu a esquerda, mesmo sem ser de esquerda.

Qual dessas caraterísticas é, na sua opinião, a responsável por torná-lo, como o senhor diz, o maior político do Brasil?

NÊUMANNE: Ele é o maior político brasileiro e não considero isso, necessariamente, um elogio. Você sabe o que é o político brasileiro? É o cara que faz qualquer coisa para ficar no poder, e isso é o Lula. A primeira vez que eu usei essa expressão, o (ex-governador José) Serra me chamou e disse que Getulio Vargas era o maior político que o país tivera. Falei: “Serra, o Getulio meteu uma bala no peito por causa de uma corrupçãozinha por causa de um segurança do pai dele. O Lula administrou uma quadrilha chamada mensalão e a oposição não tem um cara para enfrentá-lo na eleição. Nunca houve um conciliador como Lula”.

Isso foi aprendido ou é inato?

NÊUMANNE: É inato e foi desenvolvido. Quando conheci o Lula, ele não tinha noção desses talentos. Nas primeiras entrevistas que fiz com ele, na época do sindicato, ele era terrível, despreparado. Fui vendo, aos poucos, ele se transformar num cara genial, no meu melhor entrevistado. O talento de conciliador ele descobriu no bar da Tia Rosa, em frente ao sindicato em São Bernardo do Campo, onde fazia as negociações quando sindicalista. O PT que Lula fundou é a soma dos sindicalistas autênticos, a Igreja progressista e a esquerda armada.

Todos esses setores tinham como plano usá-lo para chegar ao poder, mas foi ele quem acabou usando todos eles?

NÊUMANNE: Defendo isso no livro. Primeiro, o Golbery pensou que ia dominar o Lula. A Igreja tentou usá-lo, mas, na primeira oportunidade, ele jogou a Igreja para escanteio ao escolher José Alencar para vice, representante de um partido evangélico.

E o ex-ministro José Dirceu?

NÊUMANNE. Lula usou o Zé Dirceu. O PT era esfacelado, e o Lula não tinha domínio sobre o PT. O Zé Dirceu é quem tinha e deu o domínio a Lula. Na primeira chance que ele teve, despachou o Zé Dirceu. Eu sempre achei que o projeto do Lula era o Palocci (ministro da Fazenda na gestão Lula).

O senhor diz que Lula não mudou tanto nesses quase 40 anos. Em que ele continua o mesmo?

NÊUMANNE: Apesar de ele dizer que é uma metamorfose ambulante, ele não mudou. Usa os mesmos métodos. No palanque, nos tempos do sindicalismo, a primeira coisa que aprendi foi o método dele. Ele botava dois companheiros para defender teses diferentes: um a favor de manter a greve e o outro contra. Ele olhava a reação do povo e decidia. Esse é o cara que colocou Dirceu versus Palocci. Ele governa na cizânia. Tem a sabedoria ancestral de dividir para reinar. Um repórter da revista “Playboy” perguntou a ele quais eram as duas maiores personalidades do século XX. Ele disse Gandhi e Hitler. Um pacifista e um assassino. Isso é ele.

Acredita que ele voltará a disputar a Presidência?

NÊUMANNE: Cada dia mais eu me convenço de que esse é o plano dele.

Há algo que o senhor sabe sobre Lula e não está no livro?

NÊUMANNE: Tem coisas que não posso provar e, se escrevo, ou vou para a cadeia ou tomo um tiro.

5° do Festival Aruanda de Cinema

Vídeo de homenagem para José Nêumanne Pinto produzido para o 5° do Festival Aruanda de Cinema, versão 2009 – João Pessoa Paraíba – Brasil.

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