Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Edições especiais

No Blog do Nêumanne: Nascido para chefiar (texto e áudio).

No Blog do Nêumanne: Nascido para chefiar (texto e áudio).

Mauro Guimarães era um jornalista tão completo que morreu enquanto o ofício definha

Mauro Guimarães era pau pra toda obra em matéria de jornalismo. Devoto de Gutenberg, escrevia artigos sobre política com um estilo límpido e sem floreios. Seus textos críticos eram construídos argumento a argumento, informação sobre informação, palavra por palavra. Eram, sobretudo, caprichados. Caprichadíssimos. Escrevia como Ademir da Guia jogava: lento, calculista, sem firulas nem arroubos. Nada de sentimentalismos. Na medida, para não cansar nem seduzir o leitor com brilharecos ou citações desnecessárias.

Paulista de Jaboticabal, filho de seu Florindo, corretor de café, e de dona Maria, mestra-escola, começou muito cedo na profissão, carregando gravadores pesados da Rádio Paulista em dupla com um amigo que atravessou a vida inteira deste: João Batista Lemos. Não há memória de suas reportagens ou transmissões radiofônicas ou de televisão. Teve desde muito cedo aproveitado seu talento para liderar grupos e chefiar equipes. Como diretor de departamento, convivia no mesmo diapasão com os colegas e os patrões – Victor Costa, na Rádio Nacional e TV Paulista; Wallace Simonsen, na TV Excelsior de São Paulo; João Saad, na Rádio e depois na TV Bandeirantes; Roberto Marinho, na Rádio e depois na TV Globo; a Condessa Pereira Carneiro e seu genro, Maneco Brito, no Jornal do Brasil. Dirigiu, ainda, o jornalismo da TV Manchete, em São Paulo. E, nos anos 70, foi secretário de Comunicação do governo Abreu Sodré

A paixão pela crônica política, traduzida em artigos publicados nas páginas de Opinião dos jornais pelos quais passou, levou-o ao convívio amigo com poderosos gestores públicos. À mesa do restaurante do Four Seasons, no Hotel Othon, na Praça do Patriarca, em São Paulo, participou da conspiração tecida por Thales Ramalho e Roberto Gusmão para fazer de Tancredo Neves presidente da conciliação nacional no desmanche da ditadura, na eleição indireta do Colégio Eleitoral. Tancredo morreu antes de assumir, mas ele tinha acesso como poucos ao gabinete do sucessor, José Sarney.

Na época da consolidação empresarial da imprensa e dos meios eletrônicos de comunicação, poucos profissionais talentosos tinham como ele conhecimento de causa e respeito pela publicidade, pelo processo industrial e pela administração dos veículos. O toque dessa versatilidade tornou-o importante na consolidação empresarial da Rede Globo e na fixação da vocação pelo jornalismo da Bandeirantes. Dirigiu o Jornal do Brasil no ápice do prestígio do diário nas bancas e no mercado, ao lado de seu parceiro de todas as horas, Walter Fontoura.

Seu instinto de chefiar equipes e a amizade com titãs empresariais o aproximaram muito de Omar Fontana, da Sadia e Transbrasil. Com Mauro e Luis Salles na agência de publicidade dos irmãos, Alcides Tápias, da Febraban, e Rolim Amaro na TAM chegou a dar sua contribuição como executivo experimentado com o trato da notícia e da opinião.

Sem seu talento para chefiar nem organizar, segui-lhe a sombra carreira afora e, quando o negócio da comunicação começou a fraquejar, ele definhou, fiel a seu ofício até morrer em casa, em Santos, aos 80 anos, deixando Tereza Francisca, sua mulher da vida inteira, os filhos Marjan, Guilherme e Rodrigo e cinco netos. Tentarei viver de seu exemplo.

José Nêumanne Pinto

*Jornalista, poeta e escritor

Para ler no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique no link abaixo:

http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/nascido-para-chefiar/

Para ler o perfil de Mauro na coluna Mortes da Folha clique no link abaixo:

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/02/1854655-mortes-jornalista-discreto-vagaroso-e-de-texto-perfeito.shtml

 

Para ler no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique no link abaixo:

http://politica.estadao.com.br/blogs/neumanne/nascido-para-chefiar/

 

Um poema de Nêumanne para Isabel

Um poema de Nêumanne para Isabel

Isabel, mar e minas

Nas veias de Isabel
corre sangue dos Castro
de seu avô Ageu,
revolucionário de trinta
e prefeito de cidades
abaixo da linha do Equador,
lavada e quarada nas águas
do açudão de Condado.
E também dos Pimentel
de vovô Leone,
comerciante de esperança
em tempos de trabalho duro
pra viver bem na escassez.

isabelfotoNa bateia dos cabelos de Isabel
se garimpa ouro de minas,
como por entre seus lábios
passa o calor do café
plantado no Vale do Paraíba
e no interior de São Paulo.
Nos olhos de minha amada
fulguram fagulhas de esmeraldas
pescadas no mar de Tambaú.

Isabel é meu Brasil que vale a pena:
o Brasil dos Bonifácios,
o Brasil de Tiradentes,
o Brasil de Villa Lobos,
Tia Ciata, Pizindim e Heitor dos Prazeres,
de vaqueiros cavalgando em caatingas
e boiadeiros guiando boiadas em lonjuras,
o Brasil de Antônio Jobim e de Portinari,
o Brasil de camponeses ferindo dedos
ao catar capuchos de algodão
e de operários na fila do ônibus,
dos bondes que não andam mais
e da solidão dos caminhoneiros.

Não esta Pátria picada pelo Aedes aegypti
e corrompida pela zica do roubo
nem este povo entorpecido
pela moléstia da mosca tsé tsé.
Mas o Brasil de nossos pais decentes
e de nossas mães nos ensinando o beabá
na treva seca dos sertões gerais.
O Brasil pisado pelos pés de Isabel,
o País moldado pelas mãos de minha mulher,
é tudo que eu queria legar pro futuro
como uma herança só de paz,
sem medo nem desesperança.

José Nêumanne Pinto São Paulo, 30 de janeiro de 2016

“O silêncio do delator”, fortuna crítica e fragmento da obra

“O silêncio do delator”, fortuna crítica e fragmento da obra

Coletânea editada para livro eletrônico. Discurso, artigos, ensaio, entrevista e fragmento do livro “O silêncio do delator”, Prêmio Senador José Ermírio de Moraes, Livro do Ano 2005.

“A quem interessar possa”, Nêumanne por Mirabô Dantas

“A quem interessar possa”, Nêumanne por Mirabô Dantas

Nos anos 70 do século passado, fiz a letra de A quem interessar possa, misturando um poemeto meu, uma citação de Oswald de Andrade e uma estrofe de um folheto de cordel do gênio Leandro Gomes de Barros, e a entreguei para o potiguar Mirabô Dantas musicar. Ela foi gravada por Telma num LP produzido por Fagner e ganhou nova e belíssima gravação do parceiro em seu CD Mares potiguares, que é esplêndido. A mesma parceria se repete na sexta faixa do mesmo CD em Fado, que abre com versos que escrevi para o açude velho, em Campina Grande.

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“Barcelona, Borborema”, Nêumanne por Gustavo Magno

“Barcelona, Borborema”, Nêumanne por Gustavo Magno


O Quinteto Brassil tem participação como convidado especial do segundo CD do compositor Gustavo Magno, “Divina virtude”, para o qual gravaram na faixa “Barcelona, Borborema” , uma adaptação que o próprio Gustavo e Carlos Aranha fizeram para trechos do livro homônimo de poemas de José Nêumanne, lançado em 1992.
É a primeira participação do Quinteto Brassil – único grupo brasileiro de metais com reconhecimento internacional num disco de compositor e cantor popular. Os músicos Radegundis Feitosa (trombone), Ayrton Benck (trompete), Cisneiro Andrade (trompa), Gláucio Xavier (trumpete) e Valmir Vieira (tuba) colocaram os metais na faixa “Barcelona, Borborema” , na semana passada, no estúdio Promix. O CD “Divina virtude” está sendo produzido com financiamento do FIC – Fundo de Incentivo à Cultura Augusto dos Anjos, do Governo da Paraíba, e patrocínio da Saelpa-CELB. Tem 14 faixas, incluindo adaptação que Gustavo Magno e Carlos Aranha fizeram para “Versos íntimos”, de Augusto dos Anjos. Todos os arranjos são do compositor de “Divina virtude” e a direção artística do disco é de Belchior. Da fase atual de produção, faltam apenas as gravações com vocalistas profissionais do Recife e os trabalhos de mixagem, feitos por Giulian Cabral.
BRASIL E EXTERIOR
O Quinteto Brassil já realizou concertos em todos os Estados brasileiros, bem como na França, Inglaterra, Estados Unidos e Uruguai, além de já ter gravado programas na BBC, de Londres, e na WBGH, dos EUA.
Da discografia do grupo, destacam-se os CDs “Brassil toca Brasil”, “Brassil plays Brazil” e “Brassileiros”.

“Do Norte do Norte”, Nêumanne por Zé Ramalho

“Do Norte do Norte”, Nêumanne por Zé Ramalho

 

Emoção bruta. Emoção trabalhada. Emoção renovada. Esta foi a evolução das sensações que experimentei ao receber de presente de Francisco Mendes o CD Parceria de viajantes, de meu amigo Zé Ramalho. A quarta faixa de um CD que realiza um projeto antigo do autor de Avohai – o de gravar um disco só com parcerias – é a canção O norte do norte que ele compôs sobre versos de meu poema Poeira de estrelas (disponível em texto, voz e PPS nesta Estação). A participação de Sandra de Sá na gravação da canção é essencial. Sua voz parece vir direto do centro da terra, das entranhas ígneas do planeta. Telefonei para o parceiro para comentar e ele disse: “Terminou ficando uma canção mística, né, Zé?” Verdade. O CD, produzido por Robertinho de Recife e com direção artística de Bruno Batista, tem 11 faixas. Os outros 13 parceiros de Zé Ramalho são Zeca Baleiro, Chico César, Jorge Mautner, Oswaldo Montenegro, Toti, Robertinho de Recife, Fausto Nilo, Toni Garrido, Da Gama, Lazão, Bind Farias, Dominguinhos e Chico Guedes. Além de Sandra de Sá, tiveram participações especiais Pitty, Daniela Mercury, Banda Calypso e Zélia Duncan. “E o DVD vem aí, parceiro”, anunciou Zé Ramalho. Dada a dica. José Nêumanne

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