Site oficial do escritor e jornalista José Nêumanne Pinto

Direto ao Assunto

Direto ao Assunto no YouTube: Armação no STF pró Lula

Direto ao Assunto no YouTube: Armação no STF pró Lula

A publicação das mensagens de Telegram trocadas entre Moro e Dallaghol reproduzidas por The Intercept Brasil, de Glenn Greenwald, marido do suplente do PSOL que assumiu o lugar de Jean Wyllys na Câmara dos Deputados, se demonstrou uma armação sem limites quando, atendendo a pedido do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, filho de militante da AP esquerdista, o presidente do STF, Dias Toffoli, que nunca teve uma ocupação na vida (e continua tendo) que não fosse servir ao PT, informou que agendará a discussão da ignominiosa tentativa de furar a jurisprudência da permissão de cumprimento de pena após condenação em segunda instância, para o plenário da Corte. Isso supera de longe qualquer ilação sobre cumplicidade após divulgação da conversa do ex-juiz com os procuradores da Lava Jato e revela a natureza criminosa da euforia dos cúmplices da maior roubalheira dos cofres públicos por governos do PT e MDB. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará dessa sujeira.

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Armação no STF pró Lula

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No Estadão desta quarta-feira: A Moro e Dallagnol ainda restará a opção pelo voto

No Estadão desta quarta-feira: A Moro e Dallagnol ainda restará a opção pelo voto

Ministro da Justiça e procuradores

foram vítimas da própria ilusão de impunidade

Esta semana começou com a divulgação de pretensos diálogos por Telegram entre o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e os procuradores da força-tarefa da Lava Jato, coordenados por Deltan Dallagnol, revelando um pretenso acordo entre eles na condução de um processo da operação. Se forem verdadeiras – e nada até agora pode ser dito em contrário, com a agravante de os acusados em suas manifestações não as terem negado –, essas conversas, só pelo que foi divulgado até agora, são nitroglicerina pura na política, na Justiça, no governo e no Brasil.

As alegações apresentadas são desprezíveis. O jornal online The Intercept Brasil, que publicou as mensagens, é veiculado no País, desde agosto de 2016, pela empresa americana First Look Media, criada e financiada por Pierre Omidyar, fundador da eBay. E editada pelo advogado também americano, especialista em Direito Constitucional e ex-jornalista do diário britânico The Guardian Glenn Greenwald; pela cineasta, documentarista e escritora Laura Poitras; e pelo jornalista investigativo (natural dos EUA) Jeremy Scahill, especialista em assuntos de segurança nacional e autor do livro Blackwater: The Rise of the World’s Most Powerful Mercenary Army. Greenwald é casado com o brasileiro David Miranda, eleito vereador do Rio de Janeiro pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e, atualmente, deputado federal na vaga de Jean Wyllys, que renunciou à cadeira na Câmara para sair do País, onde se dizia ameaçado. Adversária do impeachment da petista Dilma Rousseff, a publicação não é certamente imparcial. E daí? A Constituição federal garante o direito de qualquer veículo de comunicação exercer livre manifestação de opinião, desde que não publique mentiras.

A parcialidade questionada pela notícia, que explodiu como uma bomba de efeito devastador domingo (9/6), à noite, é a do ex-juiz da 13.ª Vara Criminal de Curitiba, em teoria pilhado em combinações estratégicas com procuradores federais em ação sob seu julgamento.

Conforme o que foi publicado até agora e na expectativa de que novos fatos venham a ser revelados pelo responsável pela divulgação, esse herói nacional, por mercê de seu desempenho na operação em tela, teria interferido no trabalho do MP. A iniciativa feriria o princípio básico da isenção do julgador, proibido de manifestar qualquer parti pris na tarefa de decidir quem tem razão: o Ministério Público, que, em nome do Estado, acusa o suspeito, e a defesa do acusado. Caso sejam mesmo autênticas as mensagens trocadas entre Moro e Dallagnol, levando em conta o fato de os outros diálogos até agora revelados não representarem abusos de conduta, mas apenas opiniões pessoais, a revelação é grave.

A eventual inclinação do juiz a aceitar os argumentos dos procuradores, em detrimento das negativas apresentadas insistentemente pelos defensores de Lula, os levará a pedir a anulação da sentença em primeira instância do processo sobre recebimento de propina e ocultação de patrimônio do triplex do Guarujá. Não implica, contudo, a automática inocência do réu, que dependerá de serem reformadas decisões unânimes de duas instâncias superiores, a segunda e a terceira, sobre o caso. De igual forma, a presunção tem sido contestada em outras varas. Há nova condenação do mesmo réu em idêntico juízo, da lavra da substituta eventual de Moro, Gabriela Hardt, e que o substituto permanente, Luiz Antônio Bonat, já encaminhou para ser julgada na Oitava Turma do Tribunal Federal Regional da 4.ª Região, em Porto Alegre. Assim, Lula responde a sete processos. No mais recente, o juiz Vallisney de Oliveira, da 10.ª Vara da Justiça Federal em Brasília, o tornou réu com Palocci e Paulo Bernardo, sendo o trio acusado de ter acertado receber US$ 40 milhões (R$ 64 milhões, à época) em propinas pagas pela empreiteira então presidida por mais um réu, Marcelo Odebrecht.

Ou seja, é bem longo e árduo o caminho perseguido pela defesa de Lula para soltá-lo. A ser provado em processo judicial, que costuma ser lento e complicado, o que foi revelado até agora mais prejudica Moro e os procuradores da Lava Jato, em especial Dallagnol, do que beneficia o presidiário mais famoso do Brasil, pilhado em vários passeios pelo Código Penal. Mesmo que The Intercept Brasil não tenha esgotado sua munição contra o ex-juiz da Lava Jato, será difícil a escalada do Himalaia de acusações por Lula, a não ser que a divulgação tenha sido autorizada por um juiz. Aí, a permanência de Moro no Ministério da Justiça ficaria insustentável. E isso dependerá menos da reação da opinião pública, que o idolatra e não confia nas instâncias superiores do Judiciário, às quais caberá julgá-lo, mas das circunstâncias políticas, que poderão levar o presidente Jair Bolsonaro a abrir mão do justiceiro, se passar a ser considerado suspeito de parcialidade.

Assim, até novembro de 2020, daqui a um ano e meio, quando o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, se aposentar, é de duvidar que mesmo uma mão forte do chefe do governo bastaria para alçá-lo ao pináculo da Justiça, mantendo a promessa que até agora, tudo indica, mantém. Até então, o herói popular das manifestações de rua de 2016 para cá terá muitas noites para lamentar a mistura de infantilidade, soberba e senso de impunidade que conduziu seus surtos de adolescência leviana e bastante tardia. Seu companheiro em travessuras virtuais, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, também lastimará o instante em que acreditou na lorota de que o aplicativo russo é um meio de comunicação pessoal à prova de hackers. Estes dificilmente serão identificados. Pois, talvez seja de bom alvitre avisar que a experiência pregressa não autoriza expectativas favoráveis no caso.

A seus carrascos, que ora comemoram, é útil lembrar que restará a Moro e Dallagnol a saída pelo voto, pois parecem manter a devoção popular.

José Nêumanne

*Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na Página 2A do Estado de S. Paulo da quarta-feira 12 de junho de 2018) Para ler no Portal do Estadão clique aqui. )

Comentário no Jornal Eldorado: PT no STF luta por padrinho

Comentário no Jornal Eldorado: PT no STF luta por padrinho

A jabuticaba podre do adiamento do início de cumprimento de penas de bandidos de colarinho branco condenados foi derrotada três vezes em 2016 em votações do Supremo Tribunal Federal, que tinha inventado a leitura da Constituição em que considerar culpado foi adotado como sinônimo de prender. Só que os cinco vencidos não desistem de tentar impor sua tirania sobre o idioma com votações de Mendes e Lewandowski na Segunda Turma, derrotados ontem pela nova maioria realista na Segunda Turma – Fachin, Cármen Lúcia e Celso –, que autorizou prender políticos do PP. Mas o terceiro baluarte da leniência – Toffoli – já avisou que porá em julgamento este ano mais uma tentativa de anular a jurisprudência vigente para favorecer Lula, a pedido da OAB, cujo presidente é candidato a vereador do Rio pelo PT.

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Assuntos do comentário da quarta-feira 12 de junho de 2019

1 – Haisem – “STF decide voltar a julgar a prisão em segunda instância”, informa chamada do alto da primeira página do Estadão hoje. Até quando os minoritários no Supremo Tribunal Federal insistirão em manter a tese absurda contra a jurisprudência da autorização para prender após segunda instância agora com a votação em plenário após voto do presidente da Segunda Turma, Ricardo Lewandowski

2 – Carolina – Para que, afinal servirá o tal Painel Multissetorial de Checagem de Informações e Combate a  Notícias Falsas, criado e propagado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal e Conselho Nacional de Justiça, Dias Toffoli

3 – Haisem – O que significa, de verdade, a autorização dada ontem em votações folgadas para o governo pedir empréstimos de 290 bilhões de reais para pagar contas correntes sem ter de descumprir a chamada “regra de ouro” da Constituição, que proíbe esse expediente

4 – Carolina – “Para evitar CPI, Moro falará a deputados e senadores”, é chamada de primeira página do Estadão hoje. Você acha que o ministro da Justiça fez bem em atender ao conselho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e ir espontaneamente à Comissão de Constituição e Justiça para dar explicações sobre a crise das mensagens de Telegram

5 – Haisem – Terá o ministro do Supremo Tribunal Federal Luis Roberto Barroso motivos para estranhar o que ele chamou de “euforia” em torno da polêmica sobre a troca de mensagens entre o ex-juiz Sérgio Moro e os procuradores da Operação Lava Jato

SONORA_BARROSO

6 – Carolina – Será que o comentário de Barroso seria mais uma farpa contra a comemoração de seu velho inimigo Gilmar Mendes do que este chamou de “último escândalo da Lava Jato”

SONORA_GILMAR MENDES

7 – Haisem – Qual está sendo o erro estratégico dos políticos que querem se vingar de Moro se aproveitando da deixa da troca de mensagens de Telegram com os procuradores da Lava Jato apontado em seu artigo publicado na página 2 do Estadão hoje, intitulado A Moro e Dallagnol ainda restará a opção pelo voto

8 – Carolina – Que comentário você tem a fazer sobre Adélio Bispo de Oliveira, que esfaqueou o presidente Bolsonaro em Juiz de Fora, em 6 de setembro do ano passado, ter negado a notícia de que emissoras de televisão estariam pagando seus advogados

 

Poema para encerrar programa do

Dia dos Namorados para Isabel

Amo-te como a planta que não floriu e tem

dentro de si, escondida, a luz das flores,

e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo

o denso aroma que subiu da terra.

Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde,

amo-te diretamente sem problemas nem orgulho:

amo-te assim porque não sei amar de outra maneira,

a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és,

tão perto que a tua mão no meu peito é minha,

tão perto que os teus olhos se fecham com meu sono.

Pome de Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto

(Pablo Neruda)

Direto ao Assunto no YouTube: Moro 2022

Direto ao Assunto no YouTube: Moro 2022

Os inimigos do combate à corrupção só fingem que estão lutando para tirar Lula de sua sala de Estado maior em Curitiba. Lula livre é a farsa com que tentam esconder o próprio medo de serem presos. No entanto, no afã desesperado de prejudicar o ex-juiz Sérgio Moro e os procuradores da força-tarefa da Lava Jato, principalmente Deltan Dallagnol, o Centrão e a esquerda na prática os empurram para a única porta de saída que lhes resta. Na justiça propriamente dita não podem prejudicá-los, pois o material orgânico que têm às mãos para sujá-los é produto do crime de hackear seus celulares. No mundo hipócrita do fingimento da vida pública podem alijá-los pela construção de narrativas com aparência de verdades para atingir sua reputação. Mas terminam os empurrando para a única porta de saída que lhes restará se eles vencerem essas batalhas: o voto. Poderão até dificultar o acesso deles aos salões privados das togas e dos fraques, mas não impedirão que o amor do povo se transforme em votos nas urnas. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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Comentário na Rádio Eldorado: Hacker perturba Moro, mas não solta Lula

Comentário na Rádio Eldorado: Hacker perturba Moro, mas não solta Lula

O hacker que invadiu a privacidade da comunicação entre o juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato, particularmente Deltan Dallagnol, o coordenador da força-tarefa, conseguiu, ao ter o resultado de seu crime publicado no jornal online The Intercept Brasil e, em consequência, nos meios de comunicação em geral reproduzido, infernizar a vida dos agentes da lei que encarceraram Lula. Mas dificilmente terá como resultado da divulgação dos posts de Telegram entre julgador e acusadores a libertação do petista, que é réu em sete processos e, no caso em questão, do tríplex do Guarujá, condenado por unanimidade (8 a 0) e nas duas instâncias superiores, o TRF 4 e o STJ, a confirmação dessa condenação. Do ponto de vista jurídico, está sendo, como definiu FHC, “uma tempestade num copo d’água”.

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Assuntos para comentário da terça 11 de junho de 2019

1 – Haisem – Que motivos você acha que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teve para considerar que a publicação das mensagens de aplicativo Telegram entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol não passam de “tempestade num copo d’água

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2 – Carolina – Que benefícios poderá Lula gozar com as dúvidas levantadas sobre a Operação Lava Jato com a divulgação das tais mensagens pelo jornal online The Intercept Brasil

3 – Haisem – Você acredita em eventuais prejuízos para o ex-juiz, provocando sua saída do ministério de Bolsonaro e sua prometida indicação para o Supremo Tribunal Federal daqui a um ano e meio, quando o decano da Corte se aposentará aos 75 anos, e para o procurador em sua carreira bem-sucedida até agora no Ministério Público Federal

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4 – Carolina – Eventuais manifestações de rua, que têm aplaudido a Operação Lava Jato desde 2016 e, em especial, o ministro Sérgio Moro, poderão interferir nos efeitos deletérios das revelações em suas vidas

5 – Haisem – Por que você chamou Lula de “sujeito oculto do grampo” da Lava Jato na denúncia de Glenn Greenwald em seu artigo semanal no Blog do Nêumanne

6 – Carolina – Quais são as chances de a crise criada pelo jornal online The Intercept Brasil influencie numa eventual decisão negativa da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal com reunião marcada para o fim deste mês de junho para julgar parcialidade do ex-juiz  Sérgio Moro no julgamento do tríplex do Guarujá, atribuído pelo MP ao ex-preisdente Lula

7 – Haisem –  Quais são suas expectativas para o julgamento marcado para hoje de mais um recurso da defesa de Lula na citada Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal

8 – Carolina – Será que o anúncio feito pelo relator da matéria na Comissão Mista de Orçamento, deputado Hildo Rocha (MDB-MA), de votar o pedido de crédito para evitar que o governo Bolsonaro cumpra a “regra de ouro” da Lei de Responsabilidade Fiscal, realmente se confirmará

 

No Blog do Nêumanne: Lula, o sujeito oculto do escândalo

No Blog do Nêumanne: Lula, o sujeito oculto do escândalo

Esquerda e Centrão não se envergonham de atacar a Lava Jato fingindo querer soltar o petista e festejando a vingança contra o juiz e o promotor que foram os primeiros a processá-lo e condená-lo

Uma memória vívida que tenho de minha infância é a leitura ávida da revista O Cruzeiro, que meu pai carregava do Rio ou de São Paulo para o sertão, aonde transportava cargas em seu caminhão Jandaia, da Chevrolet, e em cujas bancas comprava revistas para nosso regalo. O caminhoneiro Anchieta Pinto gostava tanto do Amigo da Onça, do desenhista pernambucano Péricles, que colecionava a série semanal, charge por charge. Eu preferia a série desenhada por Carlos Estêvam e intitulada As Aparências Enganam. Com capricho de gênio, o autor elaborava uma cena terrível no escuro e no quadro seguinte a iluminava mostrando o panorama oposto. O que assustava, então, passava a encantar. Este episódio dos posts do aplicativo de mensagens telefônicas Telegram, protagonizado pelo ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, e o coordenador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, apresenta aparências e enganos que fazem lembrar a mesma ideia engenhosa do contraste trevas-luz.

O sonho da esquerda inconformada com as condenações de Luiz Inácio Lula da Silva, seu maior líder e único ídolo capaz de lhe garantir a volta ao poder para nele se regalar, é repetir o caso célebre da Operação Castelo de Areia, capitaneada pela empreiteira de obras públicas Camargo Corrêa. A história é conhecida, mas merece ser recontada em rápidas pancadas no teclado. A corrupção pública e notória, mas nunca processada nem punida, parecia desabar sob uma onda de provas capaz de dissolver a fortificação que garantia a incolumidade das grandes construtoras atuantes no Brasil. Mas bastou uma chicana para o castelo ruir: no Superior Tribunal de Justiça (STJ) o processo todo foi arquivado porque um desses geniais advogados abonadíssimos descobriu que sua origem tinha sido uma denúncia anônima. Descrito o pecado original, tudo ruiu. O artífice da obra demoníaca foi um criminalista de talento e ambição enormes, Márcio Thomaz Bastos. Morto o gênio da chicana, a História se repetiu, mudando os corruptos, mas mantendo a corrupção. Com Bastos fora de cena, a Ação Penal 470 inaugurou a punição dos poderosos da política e dos nababos da empreita sob a denominação aparentemente burocrática de mensalão.

Carolina, a personagem da canção de Chico Buarque, ainda não tinha deixado seu plantão na janela, quando a punição se esvaiu por entre os dedos: o operador Marcos Valério até hoje purga pena, mas os mandantes políticos em geral foram indultados pela companheira Dilma e perdoados pelos amigões do Supremo Tribunal Federal (STF), à exceção do petista José Dirceu e do aliado Pedro Corrêa. Eles tinham delinquido cumprindo pena na Papuda, em Brasília. E só por isso não escaparam de pena.

O mago Bastos, que tinha sido ministro da Justiça no primeiro mandato presidencial de Lula, já não dava as cartas para os parceiros do PT no pôquer do poder quando surgiu em 2014 a Operação Lava Jato, sediada em Curitiba. Esta conseguiu o que nunca foi alcançado antes: neste exato momento o político mais poderoso e mais popular da atualidade, Luiz Inácio Lula da Silva, e o mais próspero empreiteiro, Marcelo Odebrecht, cumprem pena. Nenhum vive no inferno presidiário brasileiro: o primeiro ocupa uma sala da Polícia Federal (PF), em Curitiba, e o outro arrasta uma tornozeleira na mansão do Morumbi. Mas ambos cumprem pena quebrando a regra geral de antes destes tempos: a da prisão exclusiva para pobres, pretos e prostitutas.

Dissolver com jato d’água a operação mais popular da História passou a unir delinquentes e seus advogados de ternos de grife. A esquerda, que tinha assaltado em seu mandarinato todos os cofres públicos em sociedade com o Centrão, não descansa um minuto enquanto não se vingar do ex-juiz e dos procuradores de Curitiba, que se tornou capital do combate à corrupção no Brasil contemporâneo. Para garantir a impunidade a aliança pela roubalheira reuniu os 300 picaretas que Lula contou no Congresso num pronunciamento histórico. E passou a ter a ajuda movida a propina da falsa oposição do ninho tucano. Neste momento essa armada sibilina reúne-se no Congresso Nacional, sob o comando solícito de Rodrigo Maia, na Câmara, e Davi Alcolumbre, no Senado, para transformar o pacote anticrime e de combate à corrupção do ex-juiz num novo castelo de areia. Não será talvez uma tarefa impossível, mas ela vem acompanhada de outras ações.

A bola da vez está com o gringo Glenn Greenwald, ganhador do Prêmio Pulitzer, o mais importante de literatura e jornalismo em seu país de origem, os Estados Unidos, dono de fama mundial por ter divulgado o vazamento do traidor dos segredos da maior potência política e militar do mundo, o escândalo dos WikiLeaks, Edward Snowden. Editor do jornal onlineThe Intercept Brasil, ele divulgou mensagens trocadas no aplicativo Telegram com o intuito fictício de soltar Lula, mas real de se vingar de Moro e Dallagnol. O primeiro petardo disparado domingo (9/6), à noite, alcançou seus objetivos, criando um grande rebuliço na caverna de Ali Babá em que se transformaram as cumbucas do Congresso Nacional, a virada para cima para receber propinas e a emborcada para se esconderem da polícia. Mas ele mesmo não se fez de rogado e assegurou ao Uol que há ainda muito mais a revelar. Não é impossível. Talvez não seja possível, porém, comprovar que as mensagens divulgadas ou a serem divulgadas foram obtidas de forma legal, ou seja, com autorização da Justiça. Criminosas, como parecem ser, podem criar transtornos que prejudiquem a reputação do ex-juiz e do procurador, mas de nada servem para anular o julgamento de Lula. É uma espécie de Castelo de Areia, mas com sinal inverso, pois, assim sendo, de nada podem servir ao pretenso objetivo final.

O próprio pretenso beneficiário não ajuda. Dallagnol não pode ser responsabilizado pela condenação de Lula porque procurador não condena, denuncia. Moro não foi o único juiz a apená-lo. Como revelou o título de um editorial histórico doEstado8 a 0, a condenação do ex-sindicalista é obra coletiva, ou colegiada, no jurisdiquês vigente. Por isso, Fernando Henrique Cardoso, que tem sido um baluarte pela libertação do ex-agente Barba do xerife Tuma, já definiu com precisão a tentativa de envenenar a Lava Jato: “Uma tempestade em copo d’água”. O ministro do STF Marco Aurélio Mello, pródigo em proclamar a culpa alheia, limitou seu prognóstico a um enigmático “a ver”, versão da célebre sentença de um ministro da Justiça no regime militar, Armando Falcão: “O futuro a Deus pertence”. O pretenso beneficiário do WikiLeak tupiniquim é um turista do Código Penal: réu sete vezes, empatou com a seleção fracota de Tite esmagando o mísero futebol hondurenho, que levou um gol a menos ao ser comparado com o número da goleada de desembargadores e ministros que mantiveram sua prisão de mentirinha até o próximo julgamento do STF.

Pode ser que a equipe de Paulinho da Força e Valdemar Costa Neto ainda possa comemorar algum tempo as mensagens infelizes do ex-juiz e dos procuradores. Mesmo que o crime da colheita da prova envenenada não permita que ambos sigam suas carreiras no ministério de Jair Bolsonaro e na força-tarefa que abalou o mundo do furto político no Brasil, ainda lhes restará uma saída. Talvez seja mais prudente que não subestimem a astúcia do cidadão que votou no capitão Bolsonaro para tirar do PT a chave dos cofres e evitar a paralisação da Lava Jato nos próximos dias. Moro e Dallagnol talvez possam ter a reputação manchada no mundo das togas e dos fraques. Mas é útil lembrar que ambos poderão tornar-se indigestos na competição pela disputa de mandatos políticos pelo voto popular. Há quem acredite que o próprio chefe do governo anunciou Moro no STF com um ano e meio de antecipação para retirá-lo da disputa sucessória de 2022.

A depender da reação do populacho que o aclamou de 2016 até o domingo 26 de maio de 2019, o escorregão da comunicação pelo aplicativo russo Telegram poderá levá-lo até a tomar banho de faixa verde-amarela no lago do Palácio do Planalto daqui a três anos e meio. O lance de The Intercept Brasil, vai saber, estaria assim apenas antecipando o acaso (apudMallarmé).

*Jornalista, poeta e escritor

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