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Bicudos e cegos

Na penúltima eleição da Câmara, capitaneada pelo então prefeito de São Paulo, José Serra, a quem seu líder Alberto Goldman (SP)se ligou, após militar no comunismo e no qüercismo, a bancada federal do PSDB apelou para a necessidade de consagrar o princípio da proporcionalidade e sufragou o intragável candidato governista à Presidência da Câmara, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) no primeiro turno. Isso levou o alto tucanato a cometer um suicida crime de lesa-pátria, que foi fazer do líder do baixo clero, Severino Cavalcanti (sem partido-PE), o segundo sucessor constitucional do presidente da República. E nem a posterior eleição de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para o posto bastou, contudo, para abalar as convicções proporcionalistas desses emplumados, toscos e tontos pretendentes a oponentes.
Por incrível que pareça, diante da opção entre a História e o fisiologismo rasteiro, o PSDB voltou a apelar para o critério matemático (agora absurdo, pois a maior bancada é do PMDB, e não do PT) para participar da entrega definitiva do Poder Legislativo ao Executivo, sob controle dos adversários petistas. Conduzido por uma nostalgia esquerdóide, que o torna súdito do engano, e por cálculos paroquiais, que vão de liberação de verbas do PAC à eleição da Assembléia Legislativa, o atual governador de São Paulo patrocinou a articulação para liquidar a vitória apertada do ex-líder do governo Arlindo Chinaglia (PT-SP) na Câmara. Isso mostra que, por mais aliados “aloprados “que perturbem o sono do presidente Lula no segundo mandato, este poderá sempre contar com a oposição, incapaz de enxergar um palmo além do bico.

 

© Jornal da Tarde, terça-feira, 6 de fevereiro de 2007. Opinião, p. 2

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